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Papa apela à confiança em Deus em oração do Angelus

Na oração do Angelus de domingo, o Papa Leão XIV apelou à aceitação humilde dos “caminhos de Deus”, mesmo quando contrariam as expetativas humanas, alertando para a tentação de julgar a ação divina nos momentos de incerteza.

Papa apela à confiança em Deus em oração do Angelus

“Também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, reconheceu Leão XIV, durante a oração na Praça da Liberdade em Castel Gandolfo.

“Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós”, acrescentou, perante centenas de pessoas reunidas junto à residência pontifícia, nos arredores de Roma.

O Papa sustentou que a superação destas crises espirituais obriga o crente a “nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor”, sempre com total “confiança”.

Leão XIV realçou ainda a importância de “nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está a revelar”.

A reflexão baseou-se no episódio evangélico em que Jesus anuncia a sua morte, uma perspetiva que provocou a indignação do apóstolo Pedro por estar “muito longe das expetativas” de “um Messias triunfante e poderoso”.

O encontro dominical culminou com um pedido para que a comunidade católica cultive a “docilidade” necessária para aceitar aquilo que Cristo pede.

“Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expetativas”, realçou o Papa.

“Que Maria nos ajude”, pediu Leão XIV ao concluir, “ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus”.

Já no dia anterior, o Santo Padre presidiu à eucaristia na Igreja de Maria Santíssima do Lago, e na sua homilia, exaltou o amor como caminho de vida e salvação e pediu que os cristãos não permitam que o mal “desfigure a nossa humanidade”.

Leão XIV rogou que “não nos iludamos. O ódio e a violência não trazem nada de bom, mas apenas destruição e morte, sempre, mesmo quando são uma resposta às injustiças sofridas. Vemos isso todos os dias, desde o pequeno âmbito de nossa vida doméstica até ao grande cenário do mundo”.

Assim, o Santo Padre destacou que “temos tanta necessidade de vida, de esperança, de serenidade, de paz, em nós mesmos, nas nossas cidades, entre os povos e as nações” e deste modo, “seja qual for a ferida, seja qual for a ofensa, não permitamos que o mal desfigure nossa humanidade e nos corrompa o coração!”

Secções: Edição Impressa, Igreja

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