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Carrazeda de Ansiães

Maçã de qualidade em Carrazeda de Ansiães mas chuva pode provocar estragos

A chuva prevista para o resto da semana pode afetar a produção de maçã mais precoce no concelho de Carrazeda de Ansiães, no distrito de Bragança, onde se espera uma campanha de boa qualidade.

Maçã de qualidade em Carrazeda de Ansiães mas chuva pode provocar estragos

“Não é um ano em que haja grande produção, mas a produção que há é de grande qualidade”, disse à Lusa Duarte Borges, técnico da Associação dos Fruticultores, Viticultores e Olivicultores do Planalto de Ansiães (AFUVOPA).

No entanto, a meteorologia pode mudar o cenário da primeira colheita de maçã, que está já a decorrer.

De acordo com o técnico, o mau tempo previsto, com chuva e vento, “faz com que haja alguma queda de fruta para o chão e algum rachamento desta variedade de Gala que se anda a colher agora”.

“Se houver queda de granizo pode ser um cenário complicado, pode ser um cenário que pode provocar prejuízos acentuados. Granizo nesta altura do ano é coisa que não queremos ouvir falar”, afirmou.

A apanha da maçã neste concelho do distrito de Bragança está já a decorrer. Arrancou a 12 de agosto, 10 dias mais cedo do que habitual, devido às “ondas de calor” que aceleraram o processo de maturação.

Ao que tudo indica, será um ano de colheita melhor que o anterior, com fruto de “excelente qualidade, bom calibre e excelentes colorações”.

“Este ano prevê-se uma colheita melhor do que a do ano passado na grande maioria das produções. O ano passado foi marcadamente baixo, andámos entre as 15 mil e 18 mil toneladas. Este ano andará mais entre as 20 mil e as 24 ou 25 mil toneladas”, adiantou o técnico.

Por outro lado, a chuva que pode causar prejuízos também pode ser uma mais-valia para as variedades tardias, porque “a água ao nível do solo” pode ajudar “em termos de calibre e mais quantidade de fruta”, segundo Duarte Borges.

No concelho de Carrazeda de Ansiães há cerca de 50 produtores de maçã, mas Duarte Borges revelou que “não tem havido o número de agricultores que seria desejável para manter a atividade com mais jovens”.

Um dos problemas estará no preço “bastante baixo” do fruto, que no ano passado variava entre os 40 e os 45 cêntimos o quilo.

“Descer não pode descer, isso é que não. O preço tem de aumentar e não descer, em virtude também dos custos terem aumentado, os custos dos combustíveis aumentaram bastante (…) o gasóleo agrícola nunca esteve a este preço, um preço muito elevado, os custos com mão de obra, que é outro fator limitante, num período da campanha que é muito exigente em mão de obra, também aumentou, por isso o preço final do produto também tem que aumentar, porque senão andamos a trabalhar no fio da navalha e começa a pôr em causa a sustentabilidade económica das explorações”, vincou.

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