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As energias renováveis podem substituir os combustíveis fósseis?

A resposta é “sim”. Ou seja, as energias renováveis (solar, eólica, hídrica, biomassa) podem substituir os combustíveis fósseis, mas esta transição energética ainda está longe de ser uma realidade.

As energias renováveis podem substituir os combustíveis fósseis?

Os especialistas dizem que a transição “é viável” tecnologicamente e necessária para o clima, impulsionada pela redução de custos e pelo aumento de investimentos em tecnologias limpas, como o hidrogénio verde, permitindo ter uma matriz energética “mais sustentável e independente”, sobretudo num tempo de grande incerteza no mercado global de energia.

As principais alternativas aos combustíveis fósseis são a energia solar e eólica, que são consideradas as fontes mais baratas e inesgotáveis para gerar eletricidade.

Já o hidrogénio verde, produzido via eletrólise com energia limpa, “é crucial para descarbonizar a indústria”.

Os biocombustíveis e o biometano, que derivam de resíduos orgânicos, substituem diretamente combustíveis fósseis no transporte e aquecimento.

Já a eficiência energética e a eletrificação de veículos e processos industriais podem reduzir significativamente a dependência de petróleo e gás.

Vasco Amorim, investigador da UTAD, revelou que o “grande desafio” é apostar na descarbonização e produzir combustíveis limpos e mais eficientes.

“Já temos bastante energia produzida a partir das barragens, do vento e do sol, ou seja, energia hídrica, eólica, mas ainda produzimos pouca energia solar, quando somos um país com muito sol”.

Por exemplo, os espanhóis “já têm muita energia fotovoltaica a partir dos centros solares. Os nórdicos têm muitas hidroelétricas, pelo que conseguem produzir muita eletricidade a partir da energia hídrica”.

SOL “É POUCO APROVEITADO”

Portugal deve apostar na “instalação de painéis fotovoltaicos, que podem ser colocados em cima de telhados, em parques de estacionamento”, defende o professor, que também compreende os entraves colocados pelos ambientalistas quando há sobreiros, por exemplo, que são cortados para a instalação de painéis solares. “Eu compreendo as duas partes. Os investidores querem um espaço concentrado para colocar os painéis para depois ter só uma linha a recolher a energia. Ou seja, isso facilita a exploração e a limpeza”. Por outro lado, “ quando se procede a cortes massivos de árvores é o meio ambiente que fica debilitado”.

Questionado sobre os preços elevados da energia em Portugal, Vasco Amorim explica que a energia que produzimos, por vezes, “nem temos de pagar nada no mercado”, devido ao excesso de produção das renováveis, no entanto, quando chega ao consumidor final, o preço é bastante mais caro. “O consumidor tem de pagar as taxas de rede, os impostos ao Estado, tem de pagar toda uma estrutura das empresas que compram a eletricidade no mercado para depois a vender aos consumidores”.

“Se a eletricidade for muito barata e houver e xcesso de produção, nós podemos usar esse excesso para produzi hidrogénio, através de eletrólise, que pode ser usado em carros ou autocarros”, frisa o investigador, acrescentando que o Metrobus do Porto é movido a hidrogénio verde. “É um sistema de transporte público de alta eficiência que utiliza células de combustível, libertando apenas vapor de água, o que garante uma operação sem emissões poluentes”.

Outra solução para viagens curtas são os carros a bateria. “Se for para andar por Vila Real, fazer uns 100 e 200 quilómetros, o carro elétrico é perfeito. Mas se for a grandes viagens, ou para um taxista que pode ter de fazer 300 a 400 quilómetros rapidamente, aí a maior vantagem é o hidrogénio, mas o grande obstáculo é a escassez de postos de a bastecimento no país”.

Atualmente , na União Europeia, a energia solar e eólica já supera os fósseis na produção de eletricidade, demonstrando que a transição energética está em curso. No entanto, a dependência dos combustíveis fósseis continua a ser enorme e o futuro passa por apostar mais em energias renováveis. Neste aspeto, Portugal é um país com muito potencial que pode ser explorado, mas tudo isto exige investimentos massivos em infraestruturas e políticas públicas.

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